Mais do que uma simples data comemorativa, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, representa inúmeras lutas que acontecem há décadas, com o objetivo de alcançar igualdade, segurança e direitos básicos às mulheres. Conheça um pouco da história e a importância deste dia, as expectativas para as profissionais no mercado de trabalho e as mudanças do ‘novo normal’.

Veja como o mercado tem mudado ao longo dos anos, o que é ainda preciso para alcançar mais igualdade de gênero em cargos de liderança e a visão da CEO da Superdigital, Luciana Santos Godoy,  sobre o assunto.

 

Qual a origem do Dia Internacional da Mulher?

Para explicar o significado do dia 08 de março, é preciso voltar até 1911, em Nova York, Estados Unidos. Naquela época, o clima era de tensão: mulheres trabalhavam horas a fio e sem descanso. Eram discriminadas na sociedade e não existia igualdade de direitos.

Foi nesse mesmo ano que o fogo tomou conta de uma fábrica têxtil da cidade, deixando 125 operárias mortas, vítimas do incêndio. O caso gerou comoção e manifestações nas ruas, além de pedidos por segurança, igualdade e mudança.

Declarado oficialmente o Dia Internacional da Mulher em 1975, pela ONU, a data é um marco histórico na sociedade e continua relevante até os dias de hoje, servindo de apoio para diversas manifestações e protestos ao redor do mundo.

As conquistas das mulheres brasileiras

Para entender melhor a importância do Dia da Mulher no Brasil, é preciso conhecer os desafios e as conquistas que as brasileiras precisaram enfrentar ao longo dos anos, entre eles:

 

  • 1879 - Mulheres são autorizadas a frequentar cursos superiores - Rita Lobato Velho Lopes foi a primeira mulher a se graduar no país, em 1887.
  • 1932 - O direito ao voto feminino se torna uma realidade para muitas, mas não todas. Essa mudança só acontece em 1945, incluindo todos os brasileiros acima de 18 anos sendo autorizados a votar.
  • 1962 - As mulheres casadas já não precisam mais da autorização dos parceiros para trabalhar. Antes, era necessário uma aprovação prévia que poderia ser anulada a qualquer momento.
  • 1988 - Gestantes não podem ser mais demitidas no período de gestação, nem cinco meses depois do parto.
  • 2006 - A Lei Maria da Penha é aprovada, garantindo mais segurança e combatendo todas formas de violência doméstica, seja física, psicológica, sexual, patrimonial e/ou moral. Maria da Penha, a história real por trás da lei, sofreu violência doméstica por anos e lutou até conseguir ver o seu agressor preso.

 

O mercado de trabalho para as mulheres

Apesar dos avanços ao longo dos anos, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para entrar e se manter no mercado de trabalho, ocupando cargos importantes e recebendo salários igualitários.

Para se ter uma ideia, mesmo sendo a maioria da população brasileira, as mulheres ocupam apenas 37,4% dos cargos de liderança no país, tudo isso enquanto realizam 3 vezes mais trabalhos domésticos que os homens.

 

Mas afinal, quais mudanças são necessárias para uma realidade mais justa?

Luciana Santos Godoy, CEO da Superdigital, acredita num diálogo mais amplo e lembra da importância de se levar o tema para todas as áreas de uma empresa:  “Esse assunto não é para ser tratado somente no grupo das mulheres. Todos precisam participar.”

Sobre as expectativas para o mercado de trabalho, Luciana se diz otimista e acrescenta: “Acredito que sim, teremos mais mulheres na liderança. Mas precisamos acelerar essa pauta, temos muito para evoluir. O número de empresas que estão discutindo e realizando ações concretas sobre o assunto ainda é pequeno.”

 

E quais são os principais desafios de ser uma mulher em um cargo de liderança?

Para Luciana, é indispensável manter a originalidade, evitando se moldar às expectativas alheias. “O principal desafio é exercermos o nosso papel sem precisarmos mudar a nossa essência.  Sermos ouvidas, respeitadas, e garantirmos um tratamento mais igualitário. Afinal, competência não tem gênero.”

 

Expectativas pós-pandemia

Apesar dos impactos da pandemia em diversas áreas (profissional, econômica e familiar), a participação de mulheres no mercado de trabalho teve o seu 5º ano de alta.

Elas também foram mais ágeis ao adaptarem seus negócios durante a pandemia, se comparado aos homens: cerca de 71% das empreendedoras usaram da tecnologia para vendas e comércio nesse período.

E as mudanças não param por aí, é possível esperar mais adaptações de negócios, com várias possibilidades e inovações: “Eu procuro sempre ser otimista, espero que a nossa economia consiga retomar o crescimento. Acredito que o mercado retornará com novas oportunidades e novas formas de trabalho, como o home office, por exemplo, que pode ajudar muitas pessoas no equilíbrio das tarefas da casa, família e trabalho”, comenta Luciana.